domingo, 9 de maio de 2010

Não sei como teria feito


Nunca um Dia das Mães fez tanto sentido para mim quanto esse domingo de maio de 2010. O que era para ter sido uma estadia de 10 dias para um exame e alguns passeios tornaram-se quase três meses da mais profunda dedicação da pessoa mais importante da vida: minha mãe.

Minha mãe é a pessoa mais guerreira que conheço. Desde sempre foi assim, essa fortaleza. Não foi diferente durante os piores meses da minha vida. Era ela quem estava lá ao meu lado com cada novidade dos últimos tempos, seja ela boa ou ruim.

Não foram poucos os dias em que ficamos olhando pra cara uma da outra em um hospital onde nada acontecia. Se eu precisava estar lá, ela não, mas, mesmo assim, lá estava ela, me olhando, perguntando se eu precisava de alguma coisa, insistindo para eu comer, xingando enfermeiros incompetentes, acordando no meio da madrugada só para empurrar o suporte do soro.

E a vibração dela com cada pequeno passo meu, cada nova melhora? Assim como dividimos algumas alegrias dos baby steps, também compartilhamos muitas angústias, ficando ainda mais próximas.

Assim, do nada (enfim, não foi bem do nada), voltei a me sentir com 5 anos – total dependente dela, do carinho dela e de sua atenção comigo durante 24 horas.

No próximo sábado, dona Sonia volta para o Sul e, desta vez, sem mim. Já sofro por antecipação. Não vai ser fácil cortar o cordão umbilical mais uma vez.

Feliz Dia das Mães, amada. Tu sabes colocar em prática o significado desta palavra tão intensa. Quando eu crescer, quero ser como tu.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

A história do carocinho (o resumo)


Como boa pisciana que sou, na virada do ano comprei um livro com o guia astrológico para 2010. Lá dizia que após o dia 11 de março tudo iria mudar muito para aqueles regidos sob o signo dos peixinhos. Que tanta coisa boa iria acontecer que seria quase inacreditável. Pois bem, fiquei esperando enlouquecidamente a tal data...

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Uma ida à gastro. Eu nunca achei que pedir uma endoscopia fosse modificar minha vida para sempre. Entre um "apalpa aqui e ali" no pescoço (exame de rotina, que todos os médicos deveriam fazer) lá estava ele - o carocinho. Para uma boa hipocondríaca (e já aviso, devo piorar) aquilo já era chocante. Era estar frente a frente com todos os meus piores medos. Enfim, aquilo podia ser o início de uma caxumba até... até... "ai, não quero nem pensar!"

Um ultrassom revelou que o filho da mãe tinha 2 cm. Uma visita ao gineco garantiu que na minha idade "isto geralmente era benigno". Em uma passada pela endócrino recebi a notícia de que "havia 95% de chances daquilo não ser nada". Mesmo assim, me vi procurando um cirurgião de cabeça e pescoço, especialidade que, até então, nunca havia ouvido falar na vida.

No dia do meu primeiro encontro com o cara, a surpresa: "vamos tirar por meio de cirurgia". Pronto, agenda aberta e uma data: 9 de março.

Dia marcado, pescoço aberto. Resultado da biópsia durante a cirurgia: "sem sinais de malignidade". Muita festa! Que alívio!

Uma semana depois, porém, ainda em recuperação, a revelação: o exame microscópico havia encontrado algo - e não era legal, a começar pelo nome: carcinoma papilífero metastático- o popular câncer de tireóide. "É um câncer bom. Os médicos brincam dizendo que se pudessem escolher um câncer para ter, esse seria o de tireóide". É uma brincadeira animadíssima, creio eu! (ironia).

(Explicando: os médicos chamam esse câncer de bom porque ele não espalha pelo corpo e não é necessário se fazer quimioterapia e nem radioterapia, apenas uma iodoterapia um mês depois da glândula retirada).

"Teremos que abrir novamente!", disse o médico.

A segunda operação foi muito mais complexa. O corte foi maior (fiquei parecendo uma batata smile) e fizeram o que chamam de esvaziamento radical dos gânglios, o que seria o mesmo que passarem uma escavadeira do lado esquerdo do meu pescoço, com direito a tocarem violino com meu nervo do ombro. Além disso, lá se foi toda a minha amada e saudável tireoide.

A boa notícia: em tudo isso que retiraram, não encontraram mais nada maligno dentro de mim. Virei um caso em 47 no mundo: uma metástase com tumor oculto de tireóide, ou seja, sem uma raiz.

O problema da vez: cinco dias após essa cirurgia, o que rolou lá pelo dia 30 de março, o dreno parou de funcionar, gerando hematomas. Resultado: mais uma abertura de pescoço para drenar o sangue coagulado.

A essa altura eu já estava querendo pular da janela do hospital.

Entre uma alta e outra ainda aproveitava para TENTAR frequentar o meu curso de pós-graduação que havia acabado de começar.

Porém, dois dias após minha última alta, percebi que havia ar dentro de um espaço exato do meu pescoço. Mais de uma semana de pesquisa, os médicos encontraram uma fístula na traqueia, o que fez com que abrissem meu amado pescocinho pela QUARTA vez.

Junto com a fístula ganhei de presente uma pneumonia e, grátis, 10 dias de internação para tomar antibióticos na veia. A gente nota que a situação está grave quando começa a conhecer os enfermeiros pelo nome e bater papo com eles como se fossem velhos conhecidos.

Hoje, quase dois meses depois da primeira operação e após duas semanas da última, me preparo para a etapa final do tratamento: a iodoterapia, quando ficarei radioativa por alguns dias. Até que ele ocorra, me sinto fraca do hipotireoidismo, o que é normal quando se vive sem a glândula que foi retirada de meu corpitcho e que é total responsável pelo metabolismo.

Enquanto me recupero de vez fico pensando que, talvez, aquele livrinho astrológico não estivesse tão errado assim. Apesar de tudo que tenho passado, acho que nunca aprendi tanto sobre amigos, seres humanos e sobre mim em um tão curto espaço de tempo. Com certeza, o início de março iria mudar minha vida para sempre - com certeza absoluta, para melhor.

PS: Meus amigos, desculpem-me não ter contado antes sobre tudo que havia acontecido. Procurei não espalhar a história. Espero que entendam. Acima, um rápido resumo da obra.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Realidades no Divã

Aquele sofá de um braço só sempre me deu muito medo. Ele era bonito com estampa de oncinha ou em formato de sapato de salto, mas assim, normal – com uma cor escura e uma pequena almofada em um dos lados – era simplesmente assustador.

Pois não é que hoje fui convidada a experimentar o tal móvel? E gostei! Mais do que confortável, o que relaxou minhas pernas cansadas de um dia inteiro de trabalho, chuva torrencial e ônibus lotados, ele parece ter me acolhido – bem o que precisava naquela hora, um final de tarde no meio de uma semana qualquer.

Foi lá que divaguei e, confesso, por algumas horas pareceu que estava falando sozinha. Foi lá, naquele sofá azul escuro com a pequena almofada que eu entendi que muito do que vivo hoje são fantasias. Fantasias essas que criei, que insisto em viver e inventar. A realidade pode ser dura, mas é muito mais fácil encará-la. Até quando Walt Disney habitará a mente?

Hoje, depois de décadas mobiliando o meu próprio castelo de Cinderela me deparo com a realidade nua e crua: só necessitava de um móvel no meu modesto lar – um divã.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Após queimadura, a verdade: há coisas que nunca mudam

Acordei felicíssima neste domingo quando vi que (como um milagre) tínhamos sol em São Paulo. Como minha “laje” é meio coberta, há apenas duas horas de sol estratégico para se pegar – naquele horário bom do meio dia às duas (risos irônicos e doloridos)

Passei aquele protetor 15 só pra enganar e me joguei na torração – estreando minha cadeira de deitar e toda trabalhada no biquíni novo. Fiquei igual a bife na panela, virava de um lado, para o outro, enquanto me divertia com a biografia do Michael Jackson. Eu JURO que fiquei apenas uma hora no sol, o que me rendeu uma queimadura das boas – frente e verso. Agora vivo de pós-sol.

Depois de constatar a queimadura, me peguei pensando que essa bobagem solar eu faço desde que nasci. E, com certeza, nunca mudará. Gente, eu sou branca, normal queimar a carne vez em quando, não?

Por essas e por outras resolvi fazer uma listinha das coisas que sei que nunca mudarão em mim. Segue:

- Ficar uma hora no sol e passar dias tostada, parecendo um camarão ao molho de tomate

- Tomar banho duas vezes por dia

- Assistir ao SBT com uma frequência assustadora e amar Chapolin

- Ir de pantufas até a padaria

- Ter medo de gatos, não importando o tamanho dos bichinhos

- Reclamar de doença o tempo todo e sempre achar que está com uma nova

- Ler as bulas de remédios, achar que entende tudo e ainda medicar os outros

- Dormir na maioria dos filmes que trago para casa

- Jamais arrumar a cama

- Adorar saber uma boa fofoca

- Nunca falarei baixinho

- Consultar minha mãe para todo e qualquer problema ou comemoração

- Manter contato com os bons e velhos amigos

- Fazer novas amizades a cada esquina

- Usar meu celular mais do que devia

- Fazer compras mais do que desnecessárias

É bom saber que por mais que os anos passem, há coisas nessa vida que nunca mudarão. Que bom.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Luzes, câmera... AÇÃO!


Eis que 2010 bateu à porta. Eu, que esperava ansiosamente por esse momento, abri (senhoras e senhores põem a mão no chão; senhoras e senhores pulem de um pé só).

Só por não ter trabalhado no primeiro dia do ano já senti que esse tal de Ano Novo poderia, realmente, ser diferente. Só não vi que tinha apertado o botão do “com emoção” para a vida. Logo depois do final do plantão, 2010 me brindou com um adorável Rotavírus. Foi a limpeza interna (espero que compreendam, não darei mais detalhes) que eu precisava. Foram três dias de muito tempo livre e, como consequência, de renovação dos pensamentos.

Se em 2009 eu queria tranquilidade, esse ano eu quero causar! E não escandalosamente falando...2008 foi de luzes, 2009 de câmera, mas 2010 será todo da AÇÃO! Serão 365 dias de desafio para Camila Borowsky – já que uma de minhas metas é pensar bem antes de tomar algum passo importante em minha vida, coisa que nunca fiz.

Beirando os 30 anos (glup!) descobri a importância do planejamento porque, sim, o futuro existe, está logo ali e só depende de mim. Confesso que a sorte sempre esteve ao meu lado, porém sinto que desta vez precisarei muito mais do que um trevo de quatro folhas e um pé de coelho: é hora de me afundar em livros, de estudar de verdade – de me tornar uma pessoa melhor.

Nada melhor para a gente do que sentir o poder da evolução vindo de dentro (sem a ajuda do rotavírus, claro)

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Meu Top 5 de 2009


Achei o ano que passou um pouco complicado. Mais tarde, descobri que não era a única que havia passado por altos e baixos: tudo parece ter sido muito intenso nesse tal de 2009. As coisas ou eram muito boas, ou muito ruins.

Enfim, como ele está acabando, chega a hora de pensar no que foi essa década – e como ela passou rápido. Ontem eu estava com 18 anos (no início dos anos 2000). E cá estou agora, beirando os 30 (há há há – nenhuma graça!)

Pois bem, voltando ao assunto proposto no título, listarei no maior estilo CQC o que realmente valeu a pena no ano que está nos abandonando em poucos dias.

1. Assumi Sampa como minha casa, mudei de casa, aprendi que viver sozinha é muito melhor; descobri que minhas coisas valem muito quando são pagas com muito do dinheiro do bolso.
2. Trabalhei demais, entrevistei muita gente legal, fiz muitos contatos, ralei pra caramba e fui promovida; saí demais com os meus MARAVILHOSOS colegas de trabalho e, claro, bebi demais e, como consequência, me humilhei demais.
3. Ganhei férias – as primeiras dos últimos quatro anos. Foi maravilhoso, relaxei mais do que a vida, mas morri de saudade do meu amor. Descobri que quando estou no Sul quero estar em Sampa e vice-versa. Querendo ou não, estar nos dois lugares, só milionária.
4. Recebi visitas mágicas de minha mãe, da minha irmã e da Helena e Ana – comprovando que a distância é só uma questão de detalhe.
5. Me despeço do ano com esperanças de ter aprendido a guardar o meu dinheiro e fazer dele algo realmente importante.

Sei que 2010 será muito melhor do que esse. Espero que todos vocês se divirtam muito e que o próximo ano seja cheio de PAZ: a união de tudo que é bom na vida!

Um feliz Ano Novo. Até o que vem!

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

So this is Christmas...AGAIN!




Sei que estava um pouco desaparecida. Criatividade sumiu neste último mês. Esse também é meu motivo por voltar agora, em uma época pra lá de especial para mim: o Natal.

Sempre fui uma pessoa muito natalina. Era chegar dezembro que eu, minha mãe e minha irmã corríamos para as caixas onde o pinheiro estava guardado junto com todos os enfeites. Parecia que aquele clima nos deixava mais felizes, mais unidas, enfim, o velho espírito natalino.

Ano passado, meu primeiro ano em Sampa, lembro que movi montanhas para conseguir deixar minha casa com cara de Natal. Me movimentei até a 25 de Março (sim, a pobreza bate à porta) e comprei luzinhas, além de ter pendurado uma guirlanda linda (feita por minha Mami) na porta.

2009 foi todo estranho: muita coisa acontecendo, boas e ruins. Parece que tudo passou rápido demais e, quando me dei conta, já estava aqui, em pleno dia 14 de dezembro. Por essas e outras hoje me sinto em débito com Papai Noel. Te deixei de lado, bom velhinho. Acho que, na verdade, me dediquei tanto ao trabalho, que acabei deixando um pouco o espírito natalino de lado, acabei me deixando um pouco para trás. Comigo, deixei um pouco de alegria, dispensei sorrisos e multipliquei as reclamações.

Deixo aqui minha promessa de um 2010 bem melhor do que foi esse ano: com mais paz, mais calma, mais tranqüilidade, mais espírito natalino.

Um Feliz Natal a todos vocês. Tenho certeza que ele será maravilhoso, como sempre foi para mim.