domingo, 28 de agosto de 2011

Meninos + Meninas + Meninos


Já cansei de dizer que acho que quando meus filhos forem adolescentes, a maioria destes seres entre 13 e 19 anos gostará dos dois sexos. Se apaixonará por homens e mulheres. Serão bissexuais? Acho que essa nova geração anda experimentando de tudo, falando demais e sentindo de menos.

Meu dia de sábado – que foi para lá de animado – teve o assunto na roda em dois lugares distintos: um no bar e outro em pleno samba da praça Roosevelt, sempre rodeada de amigos queridos.
Há quem diga que as pessoas que se intitulam bissexuais são gays sem coragem, que é muito mais simples tu apresentar uma pessoa do sexo oposto para teus pais e colegas de trabalho quando, na verdade, faz sexo com alguém do mesmo sexo e acaba se divertindo mais.

Porém, há aqueles que acreditam que há, sim, como gostar dos dois – uma eterna indecisão, talvez. Ou, melhor, não querer perder absolutamente nada e aproveitar ao máximo o que os dois mundos podem apresentar.
Também é possível.

Eu concordo com uma teoria. Eu acredito que os seres humanos se apaixonam por pessoas. E está aí, no amor, uma resposta para tudo.
O amor não escolhe sexo, o amor apenas existe. E nessa eu acho que há uma resposta para os bissexuais.

No fundo mesmo, como boa pisciana que sou, acredito apenas nesse sentimento que deixa
planeta mais solidário, mais feliz, mais apaixonado.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Doce ingenuidade

Como é que pode uma música remeter a gente a um tempo só dela, não é? Se não me olhar no espelho enquanto ouço Jewel posso garantir que ainda tenho 16 anos – e estou em Louisiana - passando um dos melhores anos da minha vida, fazendo intercâmbio para, depois, voltar para casa.

Lembro o quanto me achava fodona naqueles tempos. “Nossa, to indo morar sozinha!”. Psssss. Contas pagas, cartão de crédito conjunto com o da mãe, comida sempre na mesa, prontinha, caminha arrumada. Ah, quem dera assim fosse morar sozinha.

Eu, que sempre achei que havia nascido para viver solitária, como uma ilha, percebi que essa era uma grande ilusão quando, do nada, precisei montar minha própria casa. A fase da compra dos móveis foi uma alegria, assim como acertar o aluguel e assinar contratos. A mudança foi animada e a primeira noite no local me dava a mesma sensação pré-embarque do intercâmbio: “Nossa, agora eu moro sozinha!”

E agora era verdade. BIG DEAL!

Se é divertido nos primeiros instantes, logo cansa. Não há nada engraçado em ter que carregar 6 sacolas de compras sozinha, com um guarda-chuva na outra mão. Não há a menor graça em cozinhar para uma só pessoa e assistir TV sem ter ninguém para comentar um programa. Isso sem falar nas contas, nos problemas elétricos e de encanamento...

É claro que com tudo isso acontecendo, a única coisa que resto ao ser é amadurecer, aprender a fazer, não é?

A gente acha que a nossa companhia é agradável – e a minha é muito, viu? – mas nada se compara com calor humano ao redor. Tem alguma coisa melhor que entrar em uma casa cheia de gente? Tem coisa melhor do que deixar um copo em cima da mesa e, no outro dia, ele aparecer lavadinho? Ou alguém para comprar remédio na farmácia e cozinhar uma sopinha nos dias de gripe?

Ter alguém (ou alguéns) para esperar é muito divertido. E a felicidade ao ouvir a chave girando na fechadura? Incomparável!

Ai, Camilinha de 16 anos, tu eras tão ingênua!

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Quebrando a porteira

Lembro quando pisei em Sampa pela primeira vez. Era um feriadão de maio de 2008 e eu estava aqui para uma entrevista de emprego, hospedada na casa de uma amiga, que havia viajado. Ela deixou a chave de casa com o porteiro de seu prédio e eu cheguei, assim, blam, no meio de tudo.

Sim, esta foi a primeira vez que atravessei parte desta metrópole e pude entender o quão enorme era esta GRANDE cidade. Lembro que foi quando realmente soube que vinha do interior. O medo de me perder era tanto que mesmo com mapas deixados pela amiga, eu só andei até onde eu conseguia me lembrar da volta. E eu estava Pinheiros. E era o final de semana da parada gay. E eu queria muito, muito, muito ir até a Avenida Paulista. Mas não fui. De medo de nunca mais conseguir voltar. Nos três anos seguintes eu fiz a promessa lembrando daquele final de semana: “Quando eu morar aqui, eu vou na parada!”. Adivinha se eu fui? Mas é claro que não.

Enfim, voltando ao meu final de semana: consigo lembrar do cheiro da cidade, que foi muito marcante (assim como é até hoje). Não era simplesmente poluição. Era um vento carregado de cheiro de esgoto – coisa que acontece nesta cidade quando o tempo está muito quente, geralmente quando a previsão é de chuva.

À noite tive uma prévia do que foram os meses morando sozinha depois: me senti só. Nem mesmo os melhores seriados, as novelas mais legais, dezenas de revistas e alguns telefonemas conseguiam completar um vazio que só a solidão abre.

No dia seguinte, um domingo, arrisquei umas oito quadras. Nossa, como eu me sentia foda e, ao mesmo tempo, pequena de estar cruzando aquelas esquinas.

Duas semanas depois e lá estava eu, voltando com todas as minhas coisas para viver, por um bom tempo, na cidade que hoje não temo mais.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Ai bota aqui, ai bota ali

A preparação para a festa junina no Rio Grande da minha infância era sempre uma alegria. Começava com tirar a poeira do vestido de prenda. O meu era azul escuro, com pequenas florzinhas. Depois era aquela ansiedade para que o grande dia chegasse logo para rodopiá-lo com as coleguinhas do colégio para ver quem conseguia fazer o melhor efeito.

Quando era criança, o emocionante era participar de todas as brincadeiras, ganhar um monte de brindes porcarias que, em 2 dias, já não mais existiriam. Era também chegar em casa quase vomitando depois de passar a tarde inteira comendo de tudo um pouco: uns 15 pinhões, um cachorro-quente, uma fatia de bolo, 3 churrasquinhos, uma pipoca, dois quentões, algumas rapaduras... e por aí vai... haja estômago!

E as musiquinhas típicas da data. Se no Brasil São João tem um estilo, no Rio Grande do Sul ele tem muitos – incluindo tocar canções típicas gaúchas, uma delas que dá nome ao título do post.

No final da festa tinha aquela fogueira imensa no campinho de futebol. Consigo lembrar da carinha das crianças todas olhando para aquelas toras queimando... Era muita emoção!

Depois a gente cresce e a festa junina vira mais uma desculpa para encontrar os amigos, beber e, claro, isso não muda, encher a pança. Mesmo assim, o sentimento da época, com a chegada do inverno, aquele frio aconhegante, não muda nunca.

Então eu vim pra São Paulo. Cheguei na terra da garoa no dia 5 de junho. No meu segundo final de semana por aqui, fui carregada para uma festa junina. E qual não foi minha surpresa quando cheguei a uma igreja cheia de pessoas conhecidas e animadas, com barraquinhas recheadas de guloseimas e, para finalizar, um show de Jair Rodrigues?

A gente muda de endereço, mudam as músicas, mas aquele sentimento de aconchego sempre fica.

Que venham as juninas!

terça-feira, 17 de maio de 2011

The BEST things in life


“The simple things
That come without a price
The simple Things
Like happiness joy and love in my life
I've seen it all from so many sides
And I hope you would agree
The best things in life
Are the simple things”
(Joe Cocker – The Simple Things)

Um ano desde que deixei o quarto aterrorizante da iodoterapia. Será que aquela era eu? Aquele lugarzinho gelado me pariu para o mundo e, de lá para cá, parece que me transformei em uma outra pessoa. A lagarta criou asas. Tanto que hoje olho para trás e entendo aquelas pessoas que compreendem o luto em um ano. Aquela Camila que deixou o hospital do câncer apoiada na mãe, com medo de tudo, estava apenas nascendo.

No último final de semana eu assisti a entrevista da Drica Moraes para a Marília Gabriela. Ela, que passou pelo baque de uma leucemia, transplante e afins, contou que, se não fosse tudo tão doloroso, ela acharia que todos poderiam passar por uma experiência parecida, que esta é uma forma de deixar o que está ruim na gente de lado. Eu não poderia concordar mais.

Admiro as pessoas que fazem tudo isso sem câncer ou um perrengue parecido. Conseguem levar a vida na leveza que ela merece. Antes de eu sofrer na pele o meu grande medo, eu tinha pavor de coisas tão pequenas que hoje nem consigo lembrar. Um amigo meu me disse dia desses que aprecia as coisas simples da vida. AGORA eu também sou assim!

Antigamente eu estava sempre pensando na “tal felicidade”, onde ela estaria... Como eu faria para correr atrás do melhor emprego, de não ver a hora de comprar meu carro e meu apartamento... “Quando eu achar o amor da minha vida, sei que tudo estará ótimo”. “Quando eu tiver filhos, aí sim tudo estará perfeito”. “Nossa, mas quando minha família estiver morando naquela mansão...”

Hoje não. Atualmente eu gosto de estar na minha casa. De passar o dia vendo um seriado que amo. De ficar deitada no tapete. De ler um livrinho na rede. De sair para caminhar e, na volta, tomar um banho com música. De sentir as almofadas quentinhas depois de passarem um dia tomando sol na sacada. Do cheirinho do spray de passar roupa... De acordar num domingo e fazer um chimarrão enquanto leio meus e-mails. De encontrar meus amigos em um bar e ficar fazendo piadas nonsense até a hora que der vontade. De conhecer os amigos dos amigos e a experiência sempre ser legal. De ficar apenas cozinhando com minha mãe ou tomando um café com meu pai. De dormir abraçada com o namorado. Todas essas coisas simples e que fazem a gente ter medo de morrer e deixar para trás.

Nada como ter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo. Nada pior do que passar a vida reclamando e não fazer nada para mudar. Reclamação e insatisfação não tratadas podem dar câncer. Eu já aprendi no hard way – aconselho a fazer como os seres superiores: “os inteligentes aprendem com seus próprios erros. Os gênios aprendem com os erros dos outros.”

A Camila que nasceu naquele maio de 2010 também é cheia de frases de impacto e teorias, mas faz de tudo para transformá-las em ação.

terça-feira, 26 de abril de 2011

CULPADA! Será?


Sentimento estranho esse. Sempre critiquei aqueles que a sentiam: a culpa. Me achava uma pessoa isenta dela, mas há alguns dias me vi debatendo a situação em meu querido e confortável divã.

Há quem insista nessa mania de que “deveria” e “gostaria” de fazer tudo diferente. Porra, qual a dificuldade de aceitar o que foi feito e seguir em frente, deixando claro que não há como mudar o que já aconteceu? Não sei, mas encho minha pobre cabecinha de pontos de interrogação.

Tenho um defeito e tanto: não penso nunca antes de falar. Por essas e outras que acredito guardar minhas culpas. Falo demais, sem aquele amigo, o filtro, que fica perdido em algum lugar.

Em poucos minutos, parece que ele retorna de onde estava escondido e zaz, me pega de jeito. Meus amigos sabem e já receberam mais de uma vez minhas mensagens de desculpas pela manhã , depois de cair em alguma noitada regada a garrafas e mais garrafas de álcool. No dia seguinte, quando não há amnésia, tem aquela coisa perseguindo: a culpa. “Putz, falei demais again!”

Com pouco mais de um ano de análise profunda de meus pensamentos, ainda não cheguei às conclusões definitivas. Porém, hoje me considero um pouquiiiinho melhor, um pouco menos impulsiva, um pouco mais tranquila. Um pouco menos culpada.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

É na Vila Madalena, Girassol 51


Essa era uma vontade minha de anos. Quando voltei do Rio sem ter passado por uma, me senti meio vazia. Sabia que o que sentiria seria mais do que especial.

Pois bem, no último domingo, depois de alguns baldes de cerveja na companhia de amigos especiais, decidimos nos aventurar. Destino: Rua Girassol, 51. Vila Madalena. No local, uma quadra. Lá dentro, um coração. A batida dele era perfeita. Tanto, que todos conseguiam acompanhá-la, cada qual do seu jeito.

Juro que nunca senti uma energia assim na vida. Aquela mistura de batuques, de tambores e tamborins, de gente bonita, feliz e empolgada. Simplesmente incomparável.

Mais do que qualquer Copa do Mundo, mais do que passeatas históricas. É o samba correndo nas veias que faz a gente se sentir bem brasileiro. De ter a certeza de que aqui é o melhor lugar do mundo. De que, sim, é possível jogar tudo para o alto uma vez por ano para simplesmente (e nada mais) se divertir: encher a cara e suar a camisa de tanto dançar.

Por essas e outras que vim até aqui hoje e tive vontade de contar pra todo mundo: desde domingo sou Pérola Negra.